Bandidos aplicam golpe do falso seqüestro


   A polícia de Marília contabilizou, entre quarta e quinta-feira, cerca de 15 tentativas de extorsão com o golpe do falso seqüestro. Criminosos suspeitos de atuar do interior de presídios cariocas, durante contatos telefônicos na cidade, alegaram ter seqüestrado jovens para extorquir os pais. Uma das vítimas chegou a despachar pelos Correios várias jóias e depositar R$ 250 numa conta corrente, por acreditar que o filho estava em poder de criminosos. Conforme orienta o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), é preciso ter cuidado com o blefe, porque na maioria das vezes as informações sobre a família são passadas pelas próprias vítimas.

   A dona-de-casa relatou à polícia ter recebido um telefonema e ouvido a voz de um jovem dizer “mãe, me ajuda pelo amor de Deus. Eles querem me matar”. Ela associou o apelo desesperado ao filho bancário, que trabalha em Franca, e falou o nome do rapaz para os criminosos. Em seguida, outra pessoa tomou o telefone e disse que havia seqüestrado o filho dela (chamado-o pelo nome). O criminoso exigiu R$ 10 mil para libertar o refém.

   A vítima disse que não tinha o dinheiro; o suposto seqüestrador disse que aceitaria R$ 5 mil, mas teria que receber um imediato depósito de todo o dinheiro que ela tivesse, caso contrário mataria o rapaz durante o telefonema. A mãe foi a uma casa lotérica e depositou R$ 250 na conta indicada. Ela também foi orientada a remeter jóias numa encomenda de sedex, para um endereço do Rio de Janeiro.

   A caixa para a destinatária Jaine de Oliveira Barcelos seria remetida para uma casa da rua Maragogé, no bairro da Penha, Rio de Janeiro. O dinheiro deveria ser depositado na conta de Laerte Jóia Barcelos, na conta 013000360954/4, das Caixa Econômica Federal. O polícia acredita que os nomes sejam “frios” e não ajudem a identificar os criminosos.

   “A encomenda poderia ser retirada na agência da Penha antes de chegar no endereço e o dinheiro sacado pelo portador do cartão magnético, em qualquer agência do país”, observou o delegado José Carlos Costa.

  Conforme relatou Costa, a polícia teve informações sobre o caso e orientou a vítima. Ela já havia enviado o sedex, mas a remessa das jóias foi interceptada e recuperada. O depósito bancário também foi cancelado e o caso registrado na Delegacia de Investigações Geais (DIG).

  Outras tentativas

  Segundo o delegado, nos últimos dois dias a polícia recebeu cerca de 15 telefonemas de pessoas que pediram orientações sobre como proceder nestes casos. Conforme orienta José Carlos Costa, o melhor é interromper o diálogo assim que for cogitada a hipótese de tentativa de golpe. “Normalmente eles ligam antes, para colher informações. Todos que moram na casa e os funcionários precisam estar atentos com ligações estranhas de que visam descobrir os nomes dos jovens e os hábitos das famílias”, alertou o delegado da DIG.


Fonte: http://www.jornaldamanha.com/visualizar.php?not=16460 - 22-12-2006